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Socioeducação de resultados Salesianidade
Socioeducação de resultados

A preocupação com a violência, a cultura de morte, o uso abusivo de álcool e drogas e as condições desumanas do Sistema Socioeducativo que permeiam a vida de tantos adolescentes no Brasil são preocupações que têm despertado especial interesse entre as obras que compõe a Rede Salesiana Brasil de Ação social (RSB-Social).

 

Além dos estudos realizados sobre estes temas nos encontros que aconteceram nas seis regiões pelas quais o trabalho salesiano está dividido no Brasil, a grave condição à qual são relegados – em boa parte do país – os adolesces que cumprem medidas socioeducativas, tem também merecido especial atenção da RSB-Social.

 

Em dois recentes encontros, o primeiro em Joinville e o segundo em São Carlos, o diretor executivo da RSB-Social, Pe. Agnaldo Soares Lima, abordou o tema das medidas socioeducativas.

 

O Centro Educacional Dom Bosco – CEDB, de Joinville, sediou o encontro “Diálogos sobre a Socioeducação”, reunindo 35 participantes. O evento teve sua inspiração pelo acolhimento do CEDB a três adolescentes que cumprem medida socioeducativa em regime de internação no Centro de Atendimento Socioeducativo Regional de Joinville - CASE. Entre os meses de agosto e novembro eles frequentaram a obra social cursando informática e participando da oficina de violão.

 

Essa ação foi uma iniciativa do Instituto Catarinense de Juventude – ICJ e do próprio CEDB com o objetivo de refletir as ações pedagógicas e as práticas profissionais daqueles que trabalham com adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas. A proposta almejava dar voz aos diversos segmentos da sociedade que atuam nessa área e apresentar subsídios para intervenções que promovam o desenvolvimento e os direitos dos adolescentes em processo de ressocialização.

 

Vindo de Brasília, Pe. Agnaldo Soares Lima, que também trabalhou na Secretaria de Direitos Humanos do governo federal, deu abertura ao encontro. Em sua fala, destacou elementos constituintes da lei do SINASE e do Estatuto da Criança e do Adolescente, além de apresentar diversos casos de instituições que atuam com socioeducação em todo o território nacional e refletir acerca das possibilidades e desafios de “socioeducar”, sugerindo uma ação local em rede, que envolveria várias organizações e atores sociais.

 

Um dos momentos de destaque do encontro se deu com a fala de um dos adolescentes internados no CASE, relatando os aprendizados que adquiriu ao longo de três meses de curso no CEDB. Nesse período, os três adolescentes tiveram a oportunidade de conviver novamente em sociedade e repensar os seus projetos de vida. Além disso, eles foram aprovados em uma avaliação para ingressar no Programa Jovem Aprendiz e poderão trabalhar, bem como fazer o curso profissionalizante de Auxiliar Administrativo assim que concluírem sua medida socioeducativa de internação.

 

  

 

O segundo encontro se deu na Universidade Federal de São Carlos – UFSCAR - sob o título “Educação e Justiça Juvenil”. Também presente nesse evento, Pe. Agnaldo discorreu sobre o tema “Educação e Justiça Juvenil: perspectivas do trabalho social nas políticas intersetoriais”.

 

Recordando que, para Dom Bosco que trabalhou com os jovens das prisões de Turim, na Itália, no século XIX, a violência é deficiência educativa; Pe. Agnaldo reforçou a necessidade de superação de um Sistema Socioeducativo calcado na repressão para que se priorize um modelo que explore o respeito, o vínculo afetivo e um tratamento digno à pessoa do adolescente.

 

“O trabalho com os adolescentes que se envolveram na prática de ato infracional é confiado ao Sistema de Atendimento Socioeducativo. A expressão “Sistema” quer enfatizar que Poder Judiciário, Ministério Público, Segurança Pública, Estado e Município precisam atuar de forma conjunta com os Programas que acompanham os adolescentes”, declarou o palestrante. Pe. Agnaldo afirmou ainda que: “para problemas complexos não existem soluções isoladas”.

 

  

 

Em ambos os encontros participaram representantes do Sistema de Justiça, dos Programas Socioeducativos, Gestores dos Estados e dos Municípios e membros da sociedade civil organizada.

 

Fonte: Assessoria de comunicação - RSB-Social